Recebi de uma amiga, o despacho de um juíz.
"Di,Sabe, sempre gostei das letras.Talvez por isso eu tenha me emocionado tanto ao ler o meu primeiro livro "Zezinho, o dono da porquinha preta", um menino que tudo enfrentou por seu bichinho de estimação.Ainda, ter ficado entristecida junto com o "Pequeno Príncipe" quando ele encontrou um jardim de rosas, quando até então, cuidava com tanto esmero de sua pequena rosa, que dizia ser única no mundo.As pessoas se surpreendem quando digo que não gosto de estudar, de fato não gosto. Gosto das palavras, das idéias, dos sentimentos.Gosto por exemplo do livro de Provérbios. São bárbaros! São norte, são sul, são bússula, enfim.E tal paixão pelas letras, acompanha-me mesmo antes de conhecer o que seria um "A", um "B". Aos cinco anos de idade, comecei a "tagarelar" aos quatro cantos que seria uma jornalista. Ficava encantada muito mais ao ver os repórteres na televisão do que qualquer conto de fadas.Quando fiz minhas primeiras reportagens, ainda na academia, tive uma iluminada professora, que norteou o meu caminhar. Ela gostava do meu jeito de "contar causos". Dizia-me que sabia conduzir o meu leitor para o fim que eu desejava, que prendia a sua atenção. Lembro do elogio, da cena, até da roupa que eu usava. Fora até então, o elogio da minha vida. Eu finalmente consegui fazer com as pessoas, o que os livros, as músicas, as letras... faziam comigo! Ela aconselhou-me a partir para as crônicas e sair do jornalismo-repórter.Com essa sede das letras, busquei a Filosofia. Porque sempre a achei poética! O que pode ser mais poético - e me perdoe Drummond - do que: "Ilíada"? Mas, era uma poesia morta. Letras lindas, mas sem prática atual.Surgiu, de novo, então, o Direito em minha vida. Letras e mais letras, livros e mais livros, falas e mais falas, e me descubro hoje como uma criança com um enorme brigadeiro, se deliciando, com cada mordida, de um chocolate tão cremoso. E então, percebo que aqui é o meu mundo, vou poder usar a poesia, as letras.Tudo que aprendi, com Provérbios, com Jornalismo, com Filosofia, até com os poucos meses de História, vou poder colocar tudo junto, como uma sopa de letras, e enfim compor sentenças humanas. Levar a doçura, a paz, a justiça sem armas, quem sabe, poder ser uma poeta do judiciário.Encanta-me sentenças como essa que você enviou. Porque ainda podemos encontrar operadores do Direito: humanos. Não como uma máquina que decora artigos e os aplica como regra irrepreensível. O justo não pode ser assim. As letras podem ser iguais sempre, o Art. 5º da CF/88 sempre será como o é, mas o que ele causa em mim, será diferente do que causará em outro alguém. No justo há o sentimento, há a emoção.Ora, a lei era que a mulher adúltera deveria ser apedrejada, letra por letra. Mas ao ser levada para Cristo, ele não usou de letra por letra, mas chamou a consciência, demonstrou o amor, impôs sim, a necessidade da mudança, em seus acusadores, que pudessem reconhecer os seus erros, que fossem humanos, assim como queriam eles que fossem com as suas condições, que não fossem condenados. Se quer o perdão, dê o perdão!Bom será, se encontramos em nossa cidade, estado... nosso país, pessoas que possam ver que as letras são iguais, mas as pessoas não. Se encontrássemos mais juízes como esse... teríamos menos pessoas nas cadeias, e talvez, tivéssemos pessoas "recuperadas" vivendo de comum acordo com a sociedade.Nossa!!! Preciso perder ainda a eloqüência da jornalista, esse e-mail mais parece um conto, rs...Me empolguei... como disse, as letras me "dominam"!Grande abraço!"
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