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sábado, 12 de junho de 2010

O diálogo com a raposa

"...Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo..." (Antoine de Saint-Exupéry)

Sempre gostei desse livro, "O Pequeno Príncipe", aliás, o li em uma tarde, ali perto dos meus quinze anos (faz tempo!), fiquei triste quando o Príncipe se deparou com o jardim de rosas, sendo que ele cuidava de sua rosa como se ela fosse única. E quantas vezes não nos damos tanto, achando que o que estamos vivendo é único, especial, o melhor, e depois de um tempo encontramos um jardim com tantos outros especiais, tantos outros melhores? Inúmeras, incontáveis vezes.
No trecho que transcrevi, o diálogo da raposa com o Príncipe, gosto da "lábia" da raposa. Ela consegue convencer o Príncipe, no decorrer do capítulo, que ela será especialíssima pra ele, que então alguns momentos o farão lembrar dela pra sempre. Assim também como ele será a imagem da mais pura e singela amizade, como um encantamento eterno.
Ler isso aos quinze anos, traz o romantismo como forma de vivência. Voltar a ler isso aos vinte e poucos torna-se um objeto de sobrevivência, depois da casa dos trinta, vira uma utopia. E nessa linha do tempo você percebe que deixou de acreditar em algo que era a sua própria vida. E aí me pergunto no que resultou a vida?
"...Os homens... Embarcam nos trens, mas já não sabem mais o que procuram. Então eles se agitam, sem saber para onde ir... E isso não leva a nada... Cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim... e não encontram o que procuram... E, no entanto, o que eles procuram poderia ser encontrado numa só rosa, ou num pouco de água... Mas os olhos são cegos. É preciso ver com o coração...".
Acho que no caminho dos trinta para os quarenta talvez fosse um exercício interessante, desfazer da utopia, voltar a obter determinados sistemas como vivência, fechar os olhos, já que de nada me vale ver, e passar a realmente vislumbrar com o coração.
Ainda não sei se tenho a personalidade do Príncipe ou da raposa. Alguns vezes tenho todas as aventuras, toda a solidão, toda a reflexão do Príncipe, e em outros momentos, me vejo com a própria lábia da raposa. Enfim, o será melhor sermos? Ou ainda podemos ser a rosa!

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