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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ilegais

Desse jeito vão saber de nós dois
Dessa nossa vida
E será uma maldade veloz
Malignas línguas
Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam
Ilegais


Eu só sei que eu quero você
Pertinho de mim
Eu quero você
Dentro de mim
Eu quero você
Em cima de mim
Eu quero você


Desse jeito vão saber de nós dois
Dessa nossa farra
E será uma maldade voraz
Pura hipocrisia
Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam
Olhos ilegais


Eu só sei que eu quero você
Pertinho de mim
Eu quero você
Dentro de mim
Eu quero você
Em cima de mim
Eu quero você


"Ilegais - Vanessa da Mata"

Um e-mail

Recebi de uma amiga, o despacho de um juíz. 

"Di,
Sabe, sempre gostei das letras.
Talvez por isso eu tenha me emocionado tanto ao ler o meu primeiro livro "Zezinho, o dono da porquinha preta", um menino que tudo enfrentou por seu bichinho de estimação.
Ainda, ter ficado entristecida junto com o "Pequeno Príncipe" quando ele encontrou um jardim de rosas, quando até então, cuidava com tanto esmero de sua pequena rosa, que dizia ser única no mundo.
As pessoas se surpreendem quando digo que não gosto de estudar, de fato não gosto. Gosto das palavras, das idéias, dos sentimentos.
Gosto por exemplo do livro de Provérbios. São bárbaros! São norte, são sul, são bússula, enfim.
E tal paixão pelas letras, acompanha-me mesmo antes de conhecer o que seria um "A", um "B". Aos cinco anos de idade, comecei a "tagarelar" aos quatro cantos que seria uma jornalista. Ficava encantada muito mais ao ver os repórteres na televisão do que qualquer conto de fadas.
Quando fiz minhas primeiras reportagens, ainda na academia, tive uma iluminada professora, que norteou o meu caminhar. Ela gostava do meu jeito de "contar causos". Dizia-me que sabia conduzir o meu leitor para o fim que eu desejava, que prendia a sua atenção. Lembro do elogio, da cena, até da roupa que eu usava. Fora até então, o elogio da minha vida. Eu finalmente consegui fazer com as pessoas, o que os livros, as músicas, as letras... faziam comigo! Ela aconselhou-me a partir para as crônicas e sair do jornalismo-repórter.
Com essa sede das letras, busquei a Filosofia. Porque sempre a achei poética! O que pode ser mais poético - e me perdoe Drummond - do que: "Ilíada"? Mas, era uma poesia morta. Letras lindas, mas sem prática atual.
Surgiu, de novo, então, o Direito em minha vida. Letras e mais letras, livros e mais livros, falas e mais falas, e me descubro hoje como uma criança com um enorme brigadeiro, se deliciando, com cada mordida, de um chocolate tão cremoso. E então, percebo que aqui é o meu mundo, vou poder usar a poesia, as letras.
Tudo que aprendi, com Provérbios, com Jornalismo, com Filosofia, até com os poucos meses de História, vou poder colocar tudo junto, como uma sopa de letras, e enfim compor sentenças humanas. Levar a doçura, a paz, a justiça sem armas, quem sabe, poder ser uma poeta do judiciário.
Encanta-me sentenças como essa que você enviou. Porque ainda podemos encontrar operadores do Direito: humanos. Não como uma máquina que decora artigos e os aplica como regra irrepreensível. O justo não pode ser assim. As letras podem ser iguais sempre, o Art. 5º da CF/88 sempre será como o é, mas o que ele causa em mim, será diferente do que causará em outro alguém. No justo há o sentimento, há a emoção.
Ora, a lei era que a mulher adúltera deveria ser apedrejada, letra por letra. Mas ao ser levada para Cristo, ele não usou de letra por letra, mas chamou a consciência, demonstrou o amor, impôs sim, a necessidade da mudança, em seus acusadores, que pudessem reconhecer os seus erros, que fossem humanos, assim como queriam eles que fossem com as suas condições, que não fossem condenados. Se quer o perdão, dê o perdão!
Bom será, se encontramos em nossa cidade, estado... nosso país, pessoas que possam ver que as letras são iguais, mas as pessoas não. Se encontrássemos mais juízes como esse... teríamos menos pessoas nas cadeias, e talvez, tivéssemos pessoas "recuperadas" vivendo de comum acordo com a sociedade.
Nossa!!! Preciso perder ainda a eloqüência da jornalista, esse e-mail mais parece um conto, rs...
Me empolguei... como disse, as letras me "dominam"!
Grande abraço!"

terça-feira, 29 de junho de 2010

Saudades...

Sentada aqui, baixando músicas e ouvindo-as, (o que faço quase todas as noites), fui xeretar o meu álbum digital, aí bateu saudades:
*De como era a turma no primeiro período;
*Do sarcasmo de Rodrigo Mello ao desenhar (literalmente) na lousa como era um trabalho científico;
*De como eu entrava feliz por algumas portas que hoje, passo, como se comum fossem; apenas portas;
*De cantar ao som de um violão;
*Dos meus cabelos longos;
*Dos amigos que partiram;
*Das regências;
*Das aulas para as crianças;
*De "pegar" a estrada;
*Da sensação gostosa de passar em um vestibular;
*Dos "sanduíches de sal" na casa do Dy;
*De ouvir Alanis, no "walkman", andando na chuva, em Santos;
*Dos campeonatos de Atari;
*...saudades de tanta coisa!!!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Salada musical

Ah, maravilhosas férias!
E cá estou eu, fazendo um dos itens da minha lista: ouvindo minhas mp3´s e assim, aqui vai um pouquinho de tudo que faz sentindo (apenas pra mim!):



"The moment I wake up
Before I put on my make up
I say a little prayer for you
While combing my hair now,
And wondering what dress to wear now,
I say a little prayer for you"


"Tem 17 anos e fugiu de casa
Às sete horas na manhã no dia errado
Levou na bolsa umas mentiras pra contar
Deixou pra trás os pais e o namorado
Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar
Pelo caminho, garrafas e cigarros"


"Freios sem controle
Milhões de cilindradas na mão
Fogo no asfalto
Queimando borracha e metal"


"Ela dormiu no calor
Dos meus braços
Huuum!
E eu acordei sem saber
Se era um sonho
Algum tempo atrás
Pensei em te dizer
Que eu nunca cai
Nas suas armadilhas de amor"


"Seus olhos e seus olhares
Milhares de tentações
Meninas são tão mulheres
Seus truques e confusões
Se espalham pelos pêlos
Boca e cabelo
Peitos e poses e apelos
Me agarram pelas pernas
Certas mulheres como você
Me levam sempre onde querem"


"Tudo errado, mas tudo bem
Tudo quase sempre
Como eu sempre quis
Sai da minha frente
Que agora eu quero ver"


"Estou perdido, sei que estou 
Cego para assuntos banais 
Problemas do cotidiano 
Eu já não sei como resolver
Sob um leve desespero 
Que me leva, que me leva daqui
Então é outra noite num bar 
Um copo atrás do outro 
Procuro trocados no meu bolso 
Dá pra me arrumar um cigarro?"


"Não há nada que eu possa fazer
A não ser sair sem destino
Cantando o novo hino dos descontentes
Eu sempre quero mais que ontem
Eu sempre quero mais que hoje
Eu sempre quero mais do que eu posso ter"


"Parei de pensar e comecei a sentir
Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez"


"On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou"


"Why do birds suddenly appear
Everytime you are near?
Just like me, they long to be
Close to you"


"More than words
Is all you have to do to make it real
Then you wouldn't have to say
That you love me 'cause I'd already know"


"Coração bobo, coração bola
Coração balão, coração São João
A gente se ilude dizendo
Dizendo já não há mais coração"


"Eu digo e ela não acredita, ela é bonita demais
Eu digo e ela não acredita, ela é bonita, bonita
Digo e ela não acredita, ela é bonita demais
Eu digo e ela não acredita, ela é bonita, é bonita"


"Moça bonita,
Seu corpo cheira
Ao botão da laranjeira.
Eu também não sei se é
Imagine o desatino
É um cheiro de café
Ou é só cheiro feminino
Ou é só cheiro de mulher"



"Eu nunca vi nada igual
De repente
Você surgiu na minha frente
Luz tão brilhante
Cometa em forma de gente
Invasor do planeta amor
Você me conquistou"


"Me refugio na amizade
pra não pensar, não sentir,
não gemer, não chorar, não descobrir
que somente que me faz sonhar
te sentir... até quando vou ter você?"
(Obs.: essa vocês não vão encontrar, a letra é minha, rs... essa pra ouvir, só me pedindo a mp3)


"Vou desligar, não me ligue mais
A obrigação da tua voz é estar aqui
No ouvido do meu coração"


"You're the best listener that I've ever met
You're my best friend
Best friend with benefits"


"It's like ten thousand spoons when all you need is a knife
It's meeting the man of my dreams
And then meeting his beautiful wife
And isn't it ironic... don't you think?
A little too ironic.. and yeah I really do think.."


"I recommend getting your heart trampled on
To anyone
Yeah, oh yeah, yeah
I recommend walking around naked
In your living room"


"Quando eu te vi e te conheci
Não quis acreditar na solidão
E nem demais em nós dois
Pra não encanar
Eu me arrumo, eu me enfeito
Eu me ajeito, eu interrogo meu espelho
Espelho em que eu me olho
Pra você me ver"


"Vim, tanta areia andei
Da lua cheia eu sei
Uma saudade imensa
Vagando em verso eu vim
Vestido de cetim
Na mão direita, rosas
Vou levar"


"Ela não é
Do tipo de mulher
Que se entrega na primeira
Mas melhora na segunda
E o paraíso é na terceira
Ela tem força
Ela tem sensibilidade
Ela é guerreira
Ela é uma deusa
Ela é mulher de verdade
Ela é daquelas
Que tu gosta na primeira
Se apaixona na segunda
E perde a linha na terceira
Ela é discreta
E cultua bons livros
E ama os animais
Tá ligado, eu sou o bicho"


"Assim eu sei que no final fica tudo bem
A gente se ajeita numa cama pequena
Te faço um poema, te cubro de amor
Então você adormece
Meu coração enobrece
E a gente sempre se esquece
De tudo o que passou"


"Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos são os sábios de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor"



"What you gonna tell your brother? - Oh oh oh
What you gonna tell your father? - I don’t know!
What you gonna tell your mother - Let me go
I’m gonna get dressed for success,
shaping me up for the big time, baby.
Get dressed for success"


"There is so much a man can tell you,
So much he can say.
You remain,
My power, my pleasure, my pain, baby
To me you're like a growing addiction that I can't deny.
Won't you tell me is that healthy, baby?
But did you know,
That when it snows,
My eyes become large and the light that you shine can be seen"


"Sou teu ego, tua alma
Sou teu céu, o teu inferno a tua calma
Eu sou teu tudo, sou teu nada
Minha pequena, és minha amada
Eu sou o teu mundo, sou teu poder
Sou tua vida, sou meu eu em você"


"Te lembro e já me sinto ao seu lado,
No seu mundo
Me identifico com você de um jeito
Tão profundo
E é tudo tão real
Mas nada normal"


"It's not right, but it's okay
I'm gonna make it anyway
Pack your bags up and leave
Don't you dare come running back to me
It's not right, but it's okay
I'm gonna make it anyway
Close the door behind you
Leave your key
I'd rather be alone
Than unhappy"


Bom, por hoje, chega! Outro dia faço mais saladas!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

"Pra ser sincera..."

"Pra ser sincero
Não espero de você
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos...
Pra ser sincero
Não espero que você
Minta!
Não se sinta capaz
De enganar
Quem não engana
A si mesmo...
Nós dois temos
Os mesmos defeitos
Sabemos tudo
A nosso respeito
Somos suspeitos
De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos
Não deixam suspeitos...
Pra ser sincero
Não espero de você
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos...
Pra ser sincero
Não espero que você
Me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma
Ao diabo...
Um dia desse
Num desses
Encontros casuais
Talvez a gente
Se encontre
Talvez a gente
Encontre explicação...
Um dia desses
Num desses
Encontros casuais
Talvez eu diga:
-Minha amiga
Pra ser sincero
Prazer em vê-la!
Até mais!...
Nós dois temos
Os mesmos defeitos
Sabemos tudo
A nosso respeito
Somos suspeitos
De um crime perfeito
Mas crimes perfeitos
Nunca deixam suspeitos..."

domingo, 20 de junho de 2010

I´ll rock you

Em homenagem as provas que eu não farei amanhã...ufa!


"Buddy you're a boy make a big noise
Playin' in the street gonna be a big man some day
You got mud on your face
You big disgrace
Kickin' your can all over the place
Sing it!
We will, we will rock you!
We will, we will rock you!
Buddy you're a young man, hard man
Shoutin in the street
Gonna take on the world some day
You got blood on your face
You big disgrace
Wavin' your banner all over the place
We will, we will rock you!
Sing it!
We will, we will rock you!


Buddy you're an old man poor man
Pleadin' with your eyes gonna make
You some peace some day
You got mud on your face
Big disgrace
Somebody better put you back into your place
We will, we will rock you!
Sing it!
We will, we will rock you!
Everybody!
We will, we will rock you!
We will, we will rock you!
All right"

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sonhando com as férias

"...you captivate my body put me under a spell with you cus cus perfume, I love your sweet smell, you are the only young (boy) that can ring my bell and I can take rejection so you tell me go to hell..."

Estou sonhando com as minhas férias:
* fotografar muito;
* passar uma tarde no Murão com a Ana;
* baixar Mp3 a vontade;
* pegar a estrada e ir ver o mar;
* colocar o som altíssimo em casa;
* dormir até mais tarde;
* não atender telefonemas;
* procurar um curso (desde que o tema não seja a respeito do poder derivado);
* passear com o cachorro (o de quatro patas!);
* combinar um passeio com a turma;
* fazer um bom churrasco em casa;
* ler aquela meia dúzia de livros que estão me esperando há meses;
* quem sabe, causar uma explosão no cosmos!;
*...quantas férias será preciso pra tanto?!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Meu amigo Charlie Brown

Depois de ter vivido apenas de MP3, entrei muito desconfiada nas Lojas Americanas, torcendo para não encontrar nenhum conhecido que me vê cantando muito mais Fernanda Brum, do que buscando a revolta de Charlie Brown, e me dei uma "leve" coletânea.

E... "tipo assim meu, pô o cara só podia ser paulistano, sacou?" (leia com todo o meu ainda suposto sotaque paulistano - se é que isso ainda é possível!), Alexandre Magno, mais conhecido como Chorão, saiu da capital indo morar em Santos em 1987 (putz! bateu saudades agora, da minha prancha de body-board), e com tanto mar à sua frente, o cara preferiu o skate, beleza! Eu também tentei, mas depois de alguns tombos: desisti! A sua carreira surgiu por acaso, o cara deu uma "palhinha" em um barzinho de Santos, quando o vocalista teve que se ausentar do palco por alguns instantes. (Pra fazer o quê?! Pois é, pois é... a natureza alheia cooperou com o Chorão!).
A banda surge mesmo em 1992 (e eu ainda morava em Sampa, nessa época!), e acreditem, mas o nome do grupo é sim por causa do desenho do Snoopy. De acordo com o fundador (e não afundador), ele deu de cara com uma barraca de água de coco com a imagem do desenho animado, e quanto ao "Jr.", eles o usam por se considerarem "filhos do rock", tendo como "pais" bandas ao exemplo do Nirvana e Red Hot Chili Peppers entre outras.

Explicações dadas, e agora chutando o "pau da barraca": eis as duas músicas deles que eu mais tenho escutado de ontem pra hoje!

"...ela estava ali sozinha querendo atenção e alguém pra conversar, você deixou ela de lado, vai pagar pela mancada, pode acreditar. Então já era, eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer, se for já era, eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer..."

"...Ela não é do tipo que se entrega na primeira, mas melhora na segunda e o paraíso é na terceira. Ela tem força, ela tem sensibilidade, ela é guerreira, ela é uma deusa, ela é mulher de verdade. Ela é daquelas que tu gosta na primeira, se apaixona na segunda e perde a linha na terceira. Ela é discreta e cultua bons livros e ama os animais..."

É isso aí!

sábado, 12 de junho de 2010

O diálogo com a raposa

"...Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo..." (Antoine de Saint-Exupéry)

Sempre gostei desse livro, "O Pequeno Príncipe", aliás, o li em uma tarde, ali perto dos meus quinze anos (faz tempo!), fiquei triste quando o Príncipe se deparou com o jardim de rosas, sendo que ele cuidava de sua rosa como se ela fosse única. E quantas vezes não nos damos tanto, achando que o que estamos vivendo é único, especial, o melhor, e depois de um tempo encontramos um jardim com tantos outros especiais, tantos outros melhores? Inúmeras, incontáveis vezes.
No trecho que transcrevi, o diálogo da raposa com o Príncipe, gosto da "lábia" da raposa. Ela consegue convencer o Príncipe, no decorrer do capítulo, que ela será especialíssima pra ele, que então alguns momentos o farão lembrar dela pra sempre. Assim também como ele será a imagem da mais pura e singela amizade, como um encantamento eterno.
Ler isso aos quinze anos, traz o romantismo como forma de vivência. Voltar a ler isso aos vinte e poucos torna-se um objeto de sobrevivência, depois da casa dos trinta, vira uma utopia. E nessa linha do tempo você percebe que deixou de acreditar em algo que era a sua própria vida. E aí me pergunto no que resultou a vida?
"...Os homens... Embarcam nos trens, mas já não sabem mais o que procuram. Então eles se agitam, sem saber para onde ir... E isso não leva a nada... Cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim... e não encontram o que procuram... E, no entanto, o que eles procuram poderia ser encontrado numa só rosa, ou num pouco de água... Mas os olhos são cegos. É preciso ver com o coração...".
Acho que no caminho dos trinta para os quarenta talvez fosse um exercício interessante, desfazer da utopia, voltar a obter determinados sistemas como vivência, fechar os olhos, já que de nada me vale ver, e passar a realmente vislumbrar com o coração.
Ainda não sei se tenho a personalidade do Príncipe ou da raposa. Alguns vezes tenho todas as aventuras, toda a solidão, toda a reflexão do Príncipe, e em outros momentos, me vejo com a própria lábia da raposa. Enfim, o será melhor sermos? Ou ainda podemos ser a rosa!